Por: Gilson Bifano
Zezé, nossa diarista, entra em nosso lar todas as segundas e
quintas-feiras. Há mais de 10 anos nos ajudando em casa, faltou apenas
um dia. Porque estava doente.
Zezé é uma crente fiel, sempre alegre e disposta para O trabalho. Sua presença enriquece o lar dos Bifanos.
Casada com Edilson, forma um casal especial. Mas para Zezé, Edilson é o “fofo”.
Um
dia desses ela me contou uma história interessante. Não tenho o talento
do meu professor pr. Falcão Sobrinho, colega de coluna do Jornal
Batista, para descrever as histórias e transformá-las em Parábolas da
Vida. Mas vou tentar.
Fofo gosta muito de farofa. Um dia, chegou
para Zezé e expressou o desejo de levar, em sua marmita do dia seguinte,
uma gostosa farofa que só ela sabe fazer. Como se amam muito, Zezé fez,
já no final do dia, a gostosa iguaria de Manihot esculenta
(nome cientifico da mandioca). Ambos foram dormir e a farofa ficou ali
prontinha, separada, para ser levada junto com a marmita e na hora do
almoço ser saboreada pelo maridinho.
Como era quarta-feira, dia
de folga, Zezé acordou um pouco mais tarde. Para sua surpresa, Fofo
tinha esquecido de levar a farofa. Ao ver a farofa ali, ligou para ele e
disse “mas Fofo... você esqueceu a farofa!”. “Não diga!”, expressou o
Fofo do outro lado da linha. “Mas não tem problema não. A noite eu
como”, finalizou ele. Zezé não pensou duas vezes. Se arrumou, saiu de
Belford Roxo, cidade situada na Baixada Fluminense, pegou um ônibus de
sua casa até a estação, de lá, de trem, foi até a estação do Maracanã,
no Rio. Depois pegou outro ônibus e foi até o bairro da Tijuca, onde
Fofo trabalha, como porteiro, para levar a farofa e assim agradar seu
marido.
Quando ele a viu, não acreditou. Depois de entregar a
farofa, Zezé fez o mesmo trajeto de volta para casa. Pelos meus
cálculos, da saída de sua casa até o retorno, deve ter gasto umas três
ou quatro horas.
Fofo poderia comer sem farofa naquele dia ou ir
num desses restaurantes a quilo e comprar cem gramas. Mas Zezé fez algo
inesquecível para seu marido e para o seu próprio casamento.
Se
perguntássemos a Gary Chapman que linguagem Zezé usou para expressar seu
amor ao Fofo, certamente diria que foi “atos de serviço”. Zezé, ao
tomar a decisão de se deslocar da Baixada Fluminense e ir até o bairro
da Tijuca, no Rio de Janeiro, não levou apenas um pote de farofa;
depositou uma tonelada de cimento para fortalecer seu casamento. Custou
algumas horas do seu descanso no dia de sua folga como diarista, um
pouco dos seus limitados recursos financeiros, mas deu uma grande lição
do que devemos fazer para manter um casamento e fazer com que a relação
seja estável e resistente ao divórcio.
Quando ela me contou esta
história lembrei-me de uma reportagem da revista Veja, há muitos anos,
que reportou as razões dos casamentos duradouros. Uma senhora disse que
uma das razões de ter ultrapassado a casa dos 50 anos de casamento
estava num gesto semanal de seu marido. Uma vez por semana, ele se
dirigia à padaria e comprava uma empadinha para sua amada. Na mesma
padaria onde eles comeram a primeira empadinha, ainda como namorados.
Um
dia, quando perguntarem ao Fofo porque está, há tanto tempo, casado com
a Zezé ele vai responder: “Um dia ela levou uma farofa para mim, quando
eu menos esperava”.
Casamentos duradouros e felizes são feitos dessas e outras pequenas demonstrações de amor.